DECRETO
Nº 2.670, DE 15 DE JULHO DE 1998
Promulga a Convenção nº 166 da OIT, sobre a Repatriação dos
Trabalhadores Marítimos (revisada), assinada em Genebra, em 9 de outubro de
1987.
O
PRESIDENTE DA REPÚBLICA
, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, inciso VIII, da Constituição
Federal,
Considerando
que a Convenção nº 166 da OIT, sobre a Repatriação dos Trabalhadores Marítimos
(revisada), foi assinada em Genebra, em 9 de outubro de 1987;
Considerando
que o ato multilateral em epígrafe foi oportunamente aprovado por meio do
Decreto Legislativo número 74, de 16 de agosto de 1996;
Considerando
que a Convenção em tela entrou em vigor internacional em 3 de julho de 1991;
Considerando
que o Governo brasileiro depositou o instrumento de ratificação da Convenção
em 4 de março de 1997, passando a mesma a vigorar, para o Brasil, em 3 de março
de 1998
DECRETA:
Art 1º A Convenção nº 166 da OIT, sobre a Repatriação dos
Trabalhadores Marítimos (revisada), assinada em Genebra, em 9 de outubro de
1987, apensa por cópia ao Presente Decreto, deverá ser cumprida tão
inteiramente como nela se contém.
Art
2º O Presente Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília,
em 15 de julho de 1998; 177º da Independência e 110º da República.
FERNANDO
HENRIQUE CARDOSO
Sebastião do Rego Barros Netto
Convenção 166
Convenção sobre a Repatriação dos Trabalhadores Marítimos
(revisada)
A
Conferência Geral da Organização Internacional do Trabalho,
Convocada
em Genebra pelo Conselho de Administração da Repartição Internacional do
Trabalho e REUNIDA na mesma cidade em 24 de setembro de 1987, em sua septuagésima
quarta reunião;
Observando
que, desde a aprovação da Convenção sobre a repatriação dos trabalhadores
marítimos, 1926, e da Recomendação sobre a repatriação de capitães e
aprendizes, 1926, a evolução da indústria do transporte marítimo tornou
necessária a revisão da Convenção com vistas a incorporar-lhe elementos
apropriados da Recomendação;
Observando,
ademais, que se registraram consideráveis progressos na legislação e prática
nacionais com vistas a assegurar a repatriação dos trabalhadores marítimos em
diversos casos não contemplados pela Convenção sobre a repatriação dos
trabalhadores marítimos, 1926;
Considerando
que, tendo-se em conta o aumento geral do emprego de marinheiros na indústria
do transporte marítimo, seria, por conseguinte, conveniente aprovar novas
disposições, por meio de um novo instrumento internacional, em relação a
certos aspectos complementares da repatriação dos trabalhadores marítimos;
Depois
de ter decidido aprovar diversas propostas relativas à revisão da Convenção
sobre a repatriação dos trabalhadores marítimos, 1926 (nº 23), e da
Recomendação sobre a repatriação de capitães e aprendizes, 1926 (nº 27),
questão que constitui o quinto ponto da pauta da reunião, e
Depois
de ter decidido que tais propostas assumissem a forma de uma Convenção
Internacional, aprova, em nove de outubro de mil novecentos e oitenta e sete, à
presente convenção, que poderá ser citada como a convenção sobre a repatriação
dos trabalhadores marítimos (revisada), 1987;
Parte
I. Campo de Aplicação e Definições
Artigo 1
1.
A presente Convenção é aplicável a todo navio dedicado à navegação marítima,
de propriedade pública ou privada, registrado no território de todo Membro
para o qual a Convenção esteja em vigor e normalmente destinado à navegação
marítima comercial, bem como aos armadores e aos marinheiros de tais navios.
2.
Na medida em que considerar viável, e consultando previamente as organizações
representativas de armadores de embarcações de pesca e de pescadores, a
autoridade competente deverá aplicar as disposições da presente Convenção
à pesca marítima comercial.
3.
Caso existirem dúvidas acerca de se, para efeitos da Convenção, um navio deve
ou não ser considerado como destinado à navegação marítima comercial, ou à
pesca marítima comercial, a questão será resolvida pela autoridade
competente, consultando-se previamente as organizações interessadas de
armadores, de trabalhadores marítimos e de pescadores.
4.
Para efeitos da presente Convenção os termos "trabalhadores marítimos"
ou "marinheiros" designam todas as pessoas empregadas, com qualquer
cargo, a bordo de um navio dedicado à navegação marítima ao qual seja aplicável
a presente Convenção.
Parte
lI. Direitos
Artigo 2
1.
Todo marinheiro terá direito a ser repatriado nas circunstâncias seguintes:
a)
quando um contrato por tempo determinado ou para uma viagem específica
expirar no exterior;
b)
quando expirar o período de aviso prévio dado conforme as cláusulas do
contrato de alistamento ou do contrato de trabalho do marinheiro;
c)
em caso de doença, acidente ou qualquer outro motivo médico que exija sua
repatriação, desde que tenha a correspondente autorização médica para
viajar;
d)
em caso de naufrágio;
e)
quando o armador não puder continuar cumprindo suas obrigações legais ou
contratuais como empregador do marinheiro devido a falência, venda do navio,
mudança do registro do navio ou qualquer outro motivo análogo;
f)
quando um navio se dirigir a uma zona de guerra, tal como definida pela
legislação nacional ou pelos acordos coletivos, aonde o marinheiro não
concordar em ir;
g)
em caso de término ou interrupção do emprego do marinheiro como conseqüência
de um laudo arbitral ou de um acordo coletivo, ou em caso de término do
emprego por qualquer outro motivo similar.
2.
A legislação nacional ou os acordos coletivos deverão determinar a duração
máxima do período de serviço a bordo ao cabo do qual o marinheiro tem direito
à repatriação. Tal período será inferior a doze meses. Ao terminar este período
máximo, deverão ser levados em conta os fatores que afetam o meio ambiente de
trabalho dos trabalhadores marítimos. Todo Membro deverá esforçar-se para
reduzir esse período, na medida do possível, em função das mudanças tecnológicas,
e poderá inspirar-se nas recomendações formuladas pela Comissão Paritária
Marítima.
Parte
III. Destino
Artigo 3
1.
Todo Estado Membro para o qual a presente Convenção estiver em vigor
determinará, através de sua legislação nacional, os pontos de destino aos
quais os trabalhadores marítimos poderão ser repatriados.
2.
Os pontos de destino assim determinados incluirão o lugar que o marinheiro
aceitou como local de contratação, o lugar estipulado por acordo coletivo, o
país de residência do marinheiro ou qualquer outro lugar acertado entre as
partes no momento, da contratação. O marinheiro terá direito a escolher,
entre os diferentes pontos de destino determinados o local ao qual deseja ser
repatriado.
Parte
IV. Disposições para a Repatriação
Artigo 4
1.
Caberá ao armador a responsabilidade de organizar a repatriação por meios
apropriados e rápidos. O meio de transporte normal será a via aérea.
2.
O armador arcará com as despesas de repatriação.
3.
Quando a repatriação tiver sido motivada pelo fato de um marinheiro ter sido
declarado culpado, em conformidade com a legislação nacional ou os acordos
coletivos, de uma infração grave em relação às obrigações decorrentes de
seu emprego, nenhuma disposição da presente Convenção prejudicará o direito
ao ressarcimento total ou parcial pelo marinheiro do custo de sua repatriação,
em conformidade com a legislação nacional ou os acordos coletivos.
4.
As despesas com que o armador deverá arcar incluirão:
a)
a passagem até o ponto de destino escolhido para a repatriação, em
conformidade com o artigo 3 supra;
b)
o alojamento e a alimentação do momento em que o marinheiro abandonar o
navio até sua chegada ao ponto de destino escolhido para a repatriação;
c)
a remuneração e os benefícios do marinheiro do momento em que o marinheiro
abandonar o navio até sua chegada ao ponto de destino escolhido para a
repatriação se for previsto pela legislação nacional ou pelos acordos
coletivos;
d)
o transporte de 30kg de bagagem pessoal do marinheiro até o ponto de destino
escolhido para a repatriação;
e)
o tratamento médico, caso necessário, até que o estado de saúde do
marinheiro permita-lhe viajar até o ponto de destino escolhido para a
repatriação.
5.
O armador não poderá exigir do marinheiro, no início de seu emprego, nenhum
adiantamento com vistas a arcar com as despesas de sua repatriação, como
tampouco poderá deduzi-las da remuneração ou de outros benefícios a que o
marinheiro tiver direito, salvo nas condições estipuladas no parágrafo 3
supra.
6.
A legislação nacional não obstaculizará o direito do armador a obter do
empregador de trabalhadores marítimos não empregados por ele o ressarcimento
das despesas com a repatriação dos mesmos.
Artigo
5
Se
um armador não tomar as providências necessárias para a repatriação de um
marinheiro que a ela tiver direito ou não arcar com os custos da mesma:
a)
a autoridade competente do Membro em cujo território o navio estiver registrado
organizará a repatriação do marinheiro e assumirá o custo da mesma; caso não
o fizer, o Estado de cujo território o marinheiro tiver de ser repatriado ou o
Estado do qual o marinheiro for nacional poderão organizar sua repatriação e
obter do Membro em cujo território o navio estiver registrado o ressarcimento
do custo da mesma;
b)
o Membro em cujo território o navio estiver registrado poderá obter do armador
ressarcimento dos gastos ocasionados pela repatriação do marinheiro;
c)
os gastos de repatriação não correrão em nenhum caso por conta do
marinheiro, salvo nas condições estipuladas no parágrafo 3 do artigo 4 supra;
Parte
V. Outras Disposições
Artigo 6
Os
trabalhadores marítimos que tiverem de ser repatriados deverão poder obter
passaporte e outros documentos de identidade com vistas à repatriação.
Artigo
7
Não
deverá ser descontado das férias remuneradas a que fizerem jus os
trabalhadores marítimos o tempo gasto na espera da repatriação nem o tempo
gasto na viagem de repatriação.
Artigo
8
A
repatriação será considerada efetuada quando os trabalhadores marítimos
tiverem sido desembarcados em um ponto de destino determinado em conformidade
com as disposições do artigo 3 supra, ou quando o marinheiro não reivindicar
seu direito à repatriação dentro de um prazo razoável de tempo que será
definido através de legislação nacional ou acordo coletivo.
Artigo
9
As
disposições do presente Acordo serão levadas a efeito por intermédio da
legislação nacional, sempre que já não forem aplicadas em virtude de acordos
coletivos ou de qualquer outra maneira apropriada, tendo-se em conta as condições
nacionais.
Artigo
10
Todo
Membro facilitará a repatriação, bem como a substituição a bordo, dos
trabalhadores marítimos que servirem em navios que atracam em seus portos ou
que cruzam suas águas territoriais ou vias internas de navegação.
Artigo
11
A
autoridade competente de todo Membro para o qual a presente Convenção estiver
em vigor cuidará, mediante um controle apropriado, de que os armadores de
navios registrados em seu território cumpram as disposições do Acordo, e
fornecerá a informação pertinente à Repartição Internacional do Trabalho.
Artigo
12
O
texto da presente Convenção deverá estar à disposição dos membros da
tripulação, em um idioma apropriado, em todo navio registrado no território
de um Membro para o qual a Convenção estiver em vigor.
Parte
VI. Disposições Finais
Artigo 13
A
presente Convenção revê a Convenção sobre a repatriação dos trabalhadores
marítimos, 1926.
Artigo
14
As
ratificações formais da presente Convenção serão comunicadas, para fins de
registro, ao Diretor Geral da Repartição Internacional do Trabalho.
Artigo
15
1.
Esta Convenção obrigará unicamente aos Membros da Organização Internacional
do Trabalho cujas ratificações tenham sido registradas pelo Diretor Geral da
Repartição Internacional do Trabalho.
2.
Entrará em vigor doze meses depois da data em que as ratificações de dois
Membros tiverem sido registradas pelo Diretor Geral da Repartição
Internacional do Trabalho.
3.
A partir desse momento, esta Convenção estará em vigor, para cada Membro,
doze meses após a data em que tiver sido registrada sua ratificação.
Artigo
16
1.
Todo Membro que tiver ratificado esta Convenção poderá denunciá-la ao
expirar um período de dez anos contado a partir da data em que tiver entrado em
vigor inicialmente, por meio de uma ata comunicada, para o devido registro, ao
Diretor Geral da Repartição Internacional do Trabalho. A denúncia só surtirá
efeito um ano depois da data em que tiver sido registrada.
2.
Todo Membro que tiver ratificado esta Convenção e que, no prazo de um ano após
a expiração do período de dez anos mencionado no parágrafo precedente, não
fizer uso do direito de denúncia previsto neste artigo, ficará obrigado
durante um novo período de dez anos, e a seguir poderá denunciar esta Convenção
ao cabo de cada período de dez anos, nas condições previstas neste artigo.
Artigo
17
1.
O Diretor Geral da Repartição Internacional do Trabalho notificará a todos os
Membros da Organização Internacional do Trabalho o registro de todas as
ratificações, declarações e denúncias que lhe forem comunicadas pelos
Membros da organização.
2.
Ao notificar os Membros da Organização o registro da segunda ratificação que
lhe tiver sido comunicada, o Diretor Geral chamará a atenção dos Membros da
organização para a data em que entrará em vigor a presente Convenção.
Artigo
18
O
Diretor Geral da Repartição Internacional do Trabalho comunicará ao Secretário-Geral
das Nações Unidas, uma informação completa sobre todas as ratificações,
declarações e atas de denúncia que tiver registrada conforme os artigos
precedentes.
Artigo
19
Cada
vez que estimar necessário, o Conselho de Administração da Repartição
Internacional do Trabalho apresentará à Conferência uma memória sobre a
aplicação da Convenção e considerará a conveniência de incluir na pauta da
Conferência a questão de sua revisão total ou parcial.
Artigo
20
1
.Caso a Conferência adotar uma nova Convenção que implique uma revisão total
ou parcial da presente, e a menos que a nova Convenção contenha disposições
em contrário:
a)
a ratificação por um Membro da nova Convenção revisora implicará, ipso
jure , a denúncia imediata desta Convenção não obstante as disposições
contidas no artigo 16, desde que a nova Convenção revisora tenha entrado em
vigor;
b)
a partir da data em que entrar em vigor a nova Convenção revisora, a
presente Convenção deixará de estar aberta à ratificação por parte dos
Membros.
2.
Esta Convenção continuará em vigor, em todos os casos, com sua forma e conteúdo
atuais, para os Membros que não tiverem ratificado e não ratificarem a Convenção
revisora.
Artigo
21
As
versões inglesa e francesa do texto desta Convenção são igualmente autênticas.